sábado, janeiro 13, 2007

Em Crise Infinita n.º 1 heróis vivem choque de verdades


SÃO PAULO - "Verdades" exigem releituras. No ano 325, o Concílio de Nicéia, reunião de mais de 300 bispos sob a autoridade do imperador Constantino, definia que Jesus Cristo era uma parte da essência do Senhor, uno na trindade e não um "mero" eleito de Deus na Terra. Para o fã de quadrinhos, Crise Infinita n.º 1 (Panini, 40 páginas, R$ 5,50), lançada esta semana no Brasil, tem caráter semelhante. Escrita por Geoff Johns, desenhada por Phil Jimenez e Andy Lanning, Crise Infinita vem para restabelecer as ortodoxias (e heresias) do universo heróico da DC.

"Eu não sou um Deus. E não sou como você, Bruce. Não preciso controlar tudo", diz um inseguro Superman para Batman sobre as ruínas da sede da Liga da Justiça. Para o Homem-Morcego, depois de tanto tempo, o Homem de Aço devia saber que não se tratava de controle. "Tem a ver com tentar fazer tudo que posso. E, no seu caso, trata-se de dar um exemplo", rebate o cético Cavaleiro das Trevas.

Logo no início da revista, o leitor se defronta com uma delicadíssima questão: o que fazer quando um dos maiores heróis da Terra deliberadamente mata um criminoso? O evento é mostrado pela TV, além de ser testemunhado por outros super-seres. A anuência travestida de omissão não é também criminosa? Em grande parte é o tom da crítica de Batman a Superman e Mulher-Maravilha, a fria assassina do personagem Maxwell Lord.


Traços básicos dos heróis

Lançada originalmente em dezembro de 2005 e só agora nas bancas brasileiras, o arco de histórias de Crise Infinita é uma das várias tentativas da editora DC de normatizar tanto os traços básicos de seus heróis quanto a cronologia de suas revistas. Assim foi com Crise nas Infinitas Terras, de 1986, que mostrou a morte do Flash, e Zero Hora, de 1997, que fez do velho Lanterna Verde, Hal Jordan, o maior vilão do universo.

Do ponto de vista mais simples, herói, como personagem fictício, é um sujeito que pratica a restauração de um valor perdido. Crise Infinita é uma forma de equilibrar uma dezena desses tipos ideais sem desrespeitar suas características, o que obviamente é complexo. Parafraseando um certo autor de quadrinhos, é improvável que três ou mais sujeitos que levem a sério vestir uma fantasia e combater o crime, excêntricos e austeros, consigam concordar sobre a cor de uma laranja. Que dizer então do que acham que é certo ou errado?

Estranhamente, os quadrinhos de grande consumo tendem a se aproximar bastante da realidade. Enquanto Sadam Hussein era enforcado, uma boa parte dos americanos já havia se perguntado o quanto é correto - ou mais além, heróico - eliminar criminosos. Enquanto entretenimento mais legítimo, Crise Infinita é uma ótima pedida. Como reflexão histórica, é o mais puro incômodo. Nada mal para uma revista em quadrinhos.

Fonte: Estadão

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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Editor da DC Comics comenta novidades para 2007

Se a Marvel teve Civil War, no Universo DC 2006 foi o ano da maxissérie semanal 52, que contou um ano inteiro do universo de super-heróis após os eventos de Crise Infinita e encheu os cofres da editora. Com a série chegando ao fim em abril, 2007 é o ano da DC pós-52.

O editor-executivo do Universo DC, Dan Didio, já começou a anunciar as novidades para o próximo ano: pelo menos quatro novas séries surgirão a partir de 52 – "possivelmente uma ou duas com equipes de super-heróis, bem como séries estrelando personagens individuais", disse ao site Newsarama.

Entre estas possíveis novas séries, Didio mencionou um grupo e uma personagem que ganharão destaque: os Homens Metálicos e a nova Batwoman. "Os Homens Metálicos certamente virão – são personagens que eu adoro, e podemos dizer com certeza que eles terão sua própria série em 2007. Da mesma forma, seria imbecil pensar que uma personagem com a força de, digamos, Batwoman, não veja sua própria série no futuro."

Fora estes, o editor ainda mencionou que os Novos Deuses estarão mais presentes em 2007, para compensar sua não-participação nos últimos eventos da DC, e que "teremos muitas coisas de Kirby em 2007". Para descobrir quem mais vai ganhar destaque, Didio pede aos leitores que prestem atenção nos personagens que não têm dado as caras na Universo DC. São eles que serão "ressuscitados" para o próximo ano. Destes, ele só cita o nome de uma: Mary Marvel, a companheira do Capitão Marvel.

Didio também falou que trabalhará com afinco para ter um Universo DC mais coeso. Não com muitos crossovers, nem algo que force os leitores a lerem todas as séries, mas algo que mostre que o que acontece na revista de um personagem reflete-se nas dos outros.

Falando em cruzamentos, ele reafirma que está cansado dos encontros entre personagens Marvel e DC. Além de dizer que Liga da Justiça/Vingadores é insuperável, dá outras boas razões para sua opinião: "Todo mundo procura uma teoria da conspiração quanto a Marvel e DC não estarem mais fazendo crossovers, e não existe conspiração alguma. Eles simplesmente não fazem mais sentido. Se Marvel e DC publicarem um monte de crossovers, então nós duas estamos perdendo, porque não estamos trazendo gente para nossos personagens e nossas histórias. Como se estivéssemos sem idéias. Não acho que isso esteja acontecendo na Marvel, e sei que isso não está acontecendo na DC – ambas as empresas estão bem fortes no momento. Não há necessidade".

Quanto a expansões na linha, o editor comentou a série de western Bat Lash (na esteira do sucesso de Jonah Hex), em produção com os escritores Peter Branvold (romancista) e Sergio Aragonés (Groo) e o desenhista John Severin. Didio também quer ressuscitar as séries de guerra, à la Sgt. Rock. "Fomos atrás das histórias cósmicas, já falamos de misticismo e terror, fizemos algo de capa e espada, e westerns, então faz sentido que estejamos olhando para o material de guerra, e buscando algo para tirar daí."

Fonte: Omelete

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