segunda-feira, março 12, 2007

Captain America 25 será reimpressa; autor da HQ comenta

Não é todo dia que um símbolo nacional morre. Por isso, o assassinato do Capitão América na edição 25 da sua série, lançada nos EUA na semana passada, foi praticamente a notícia do dia para toda a mídia norte-americana.

A morte nos quadrinhos chegou a ofuscar notícias do mundo real, como o julgamento de Lewis Libby, assessor do vice-presidente acusado de mentir ao FBI em caso de segurança nacional.

A ótima campanha de assessoria de imprensa da Marvel fez com que jornais de quarta-feira - dia de lançamento de Captain America 25 - já trouxessem a manchete da morte na capa. A partir daí, a notícia se espalhou por redes de TV, pela Internet e pelo mundo.

A primeira conseqüência, obviamente, foi o esgotamento da revista. Donos de comic shops reclamaram à Marvel que não tinham sido avisados que a edição seria especial, e por isso não tinham cópias suficientes em estoque. Mas pararam de reclamar quando registraram, segundo o site ICV2, recordes de público em suas lojas, comprando vários tipos de quadrinhos. Além disso, a revista terá uma segunda impressão, que chega às lojas no fim do mês.

Em sua coluna no site Newsarama, o editor-chefe da Marvel Joe Quesada falou que a morte do Capitão foi arquitetada há um ano e meio, na reunião de criadores que definiu Civil War e todo o futuro do Universo Marvel.

Quanto à insistente dúvida sobre a "realidade" da morte - afinal, todo fã conhece o ditado "nos quadrinhos de super-heróis, quem é morto sempre reaparece" - Quesada respondeu: "Cara, não sei como responder essa pergunta. Eu não sei? O que eu posso dizer é que alguém vai substitui-lo, pois o Universo Marvel não funciona sem um Capitão América".

O escritor da edição, Ed Brubaker, disse em seu blog que teve um dos dias mais agitados da sua vida, dando entrevistas para várias rádios, numa maratona jornalística que seguirá pelos próximos dias.

"O mais estranho foi quando saí da cabine de entrevistas da National Public Radio, e vi que uns funcionários tinham ido à comic shop mais próxima e compraram cópias da edição para eu autografar. Foi fantástico. O que não foi fantástico: o número de pessoas que me chamou de idiota e disse que eu era muito ruim e que devia ser despedido etc. etc. etc. Nenhuma ameaça de morte ainda, mas estou cruzando os dedos", comentou Brubaker.

Fonte: Omelete

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quinta-feira, março 08, 2007

Crepúsculo dos deuses: morre o herói dos quadrinhos

Cena na nova história do Capitão América

SÃO PAULO - O Capitão América está morto. A história do assassinato do super-herói está na revista de n.º 25 lançada nesta quarta-feira, 7, nos Estados Unidos. Desafiando a lei de registro aos super-heróis, mote de Civil War, Steve Rogers, o Capitão América, defendia que os heróis deveriam ser anônimos e não funcionários do governo. Foi preso por seu ex-colega, Homem de Ferro. A caminho do tribunal aonde seria julgado, o herói foi alvejado com dois tiros.

Quem é fã de quadrinhos pode ficar desconfiado com a notícia. Afinal nenhuma morte parece durar muito nas páginas de super-heróis. Assim foi com o Super-Homem, morto em 1993 e ressuscitado em 1994, Jean Grey, a Fênix de X-Men, em 1984 e 1986, Reed Richards (de Quarteto Fantástico), Ciclope (também de X-Men), Tia May (de Homem-Aranha) e vários outros ao longo dos anos. Em reportagem feita pela CNN, o editor-chefe da Marvel Comics, Joe Quesada comentou que em outros tempos a morte nos quadrinhos tinha pouco significado, mas que agora é diferente. "Tudo que peço para meus roteiristas é que se você for matar algum personagem, que essa morte tenha algum significado no escopo das coisas", afirmou.

Civil War

Para além do chamariz comercial que cerca a revista, a morte do Capitão América ganha um verniz político bastante delicado. Civil War revolucionou o mundo dos quadrinhos no ano passado e polarizou a definição de heroísmo.

Enquanto uns achavam que a atitude mais politicamente correta era se submeter à autoridade do governo, outros diziam que o anonimato é a mais válida expressão de altruísmo e cidadania. A controvertida inspiração do enredo veio de temas como o Patriot Act, a Guerra ao Terror e o 11 de Setembro.

"Qualquer criança sabia (do ataque terrorista) de 11 de setembro", disse Dan Buckley, presidente da Marvel Comics à CNN. "Se (ela) pudesse ver TV ela saberia o que foi o 9/11. Outras semelhanças com a realidade são apenas partes do enredo", completou. Ed Brubaker, escritor da revista, em entrevista ao NY Daily News, foi além. Segundo ele, "os leitores de esquerda gostariam de ver o Capitão fazendo discursos contra a administração (do presidente) Bush em cada esquina, e os leitores de direita gostariam de vê-lo nas ruas de Bagdá socando (o ex-ditador) Saddam (Hussein)".

O assassinato do herói em si tem outro parentesco com a realidade difícil de negar. De forma parecida que o herói dos quadrinhos, Lee Harvey Oswald, acusado de assassinar John F. Kennedy, foi morto a tiros numa transferência de prisão em 24 de Novembro de 1963.

Para o co-criador do Capitão América, Joe Simon, de 93 anos, a morte do personagem criado em 1941 às vésperas da entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial, "é um momento trágico." Com pesar, o velhinho atestou "Nós realmente precisamos dele agora".

Fonte: Estadão

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