sexta-feira, junho 16, 2006

Caixa de DVDs traz personagens do Universo Marvel


Personagens das HQs da Marvel, como O Quarteto Fantástico, O Demolidor e Elektra, que chegaram recentemente ao cinema, estão na caixa de DVDs da Fox, com extras e cenas inéditas em X-Men 1.5





SÃO PAULO - Marvete que se preza volta ao cinema só para ver a cena "escondida" nos créditos do filme. Marvete que se preza não se contenta apenas em discordar do diretor, mas quer ficar cara a cara com ele para perguntar por que mudou tanto o amado personagem.

Esta semana, os marvetes - fãs incondicionais do universo da Marvel Comics - terão alguns motivos extras para o debate. De olho no "sucessão" que é a terceira versão cinematográfica dos X-Men, O Confronto Final, a Fox resolveu lançar uma caixa com os personagens recentes da Marvel Comics que foram levados ao cinema (X-Men, Demolidor, Quarteto Fantástico e Elektra).



Hulk e Homem-Aranha estão de fora



Ficaram de fora dois sucessos fundamentais para a caixa ser completa: Hulk e Homem-Aranha, que também são Marvel. Mas há atrativos extras. Por exemplo: uma versão anabolizada do primeiro X-Men, batizada de X-Men 1.5, com cenas inéditas.

Mas o mais suculento aperitivo da caixa é o DVD Geração X, que traz um documentário sobre o universo dos X-Men, os mais populares heróis de quadrinhos da indústria americana. A caixa com seis DVDs é vendida por 139,90 reais.

Os outros DVDs, já comercializados, incluem os filmes e personagens que ajudaram a pôr a Marvel no mapa dos comics (uma empresa que chegou a pedir concordata, em 1997). É o caso do Quarteto Fantástico, criado por Stan Lee e Jack Kirby, em novembro de 1961, primeiro grupo de heróis do gênero, e que tem a seqüência filmada e pronta para estrear.

Com Ioan Gruffudd como Sr. Fantástico, Jessica Alba como a sinuosa Mulher-Invisível, Chris Evans como o aceso Tocha-Humana e Michael Chiklis como O Coisa, o filme é o mais fraco do lote por causa do roteiro meio frouxo, mas houve quem visse grandes qualidades nele.

"Numa época na qual os filmes baseados em comic books se tornam cada vez mais solenes e sérios, este aqui se contenta em ser trashy. Comparado às provas psicológicas e espirituais de Batman Begins, o Quarteto Fantástico se orgulha de ser bobo, barulhento e inconseqüente. Não é uma alegoria, um conto arquetípico de bondade e maldade, ou o equivalente cinematográfico de uma graphic novel. É só um gibi", escreveu, no New York Times, o crítico A.O. Scott.



O Demolidor de Ben Affleck



Demolidor, o Homem sem Medo, tem como calcanhar-de-aquiles um ator sem recursos, Ben Affleck (as garotas certamente discordarão). Mas é um dos mais fascinantes heróis do universo Marvel, um advogado cego sem superpoderes que se prepara para combater o crime tentando exorcizar a infância miserável em Hell's Kitchen. Foi esse o gibi que projetou um dos maiores artistas dos quadrinhos, o americano Frank Miller - o primeiro emprego, nos anos 80, foi tentar salvar a revista do Demolidor, que naufragava nos Estados Unidos, e ele conseguiu.

Elektra é um personagem derivado do Demolidor. A fama dela também foi um mérito de Frank Miller, que a tornou, de coadjuvante, a protagonista, moça bela e amargurada em dúvida entre constituir um lar e matar todo mundo na vizinhança. Na versão para o cinema, Elektra recebeu um balde de críticas negativas, mas quase todas ressaltavam um ponto: a escolha da atriz para o papel foi sob medida.

O filme vale pelas panorâmicas em Jennifer Garner de quimono, treinando artes marciais, ou enfiada num jeans do tipo Gang, de funkeira carioca, em meio a ninjas inescrupulosos. Ela é a versão antigeométrica de Angelina Jolie, só que a boca tem uns quilos a mais de carne. O veterano Terence Stamp como o mestre Stick é algo risível, quase doloroso de tão risível.



O fenômeno dos X-Men



Já os X-Men valeriam uma tese. Os heróis mutantes são um fenômeno inacreditável. Em 1992, um gibi dessa turma de mutantes vendeu 8 milhões de exemplares, um recorde nunca mais batido.

Essas versões permitem dois tipos de reflexão. A primeira é sobre como essas obras assentadas sobre uma montanha de efeitos especiais sobrevivem umas às outras. Em geral, quando chega um novo filme, o novo está fragorosamente obsoleto. Alguns raros sobrevivem por conta de um conceito, um décor, associações realistas - é o caso do primeiro Batman, de Tim Burton.

A segunda reflexão é sobre se há noções de sucesso e fracasso nessas adaptações de personagens célebres da Marvel Comics - uma divisão da Marvel Enterprises, que domina cerca de 40% do mercado e tem 16 entre os 20 gibis mais vendidos por mês. Todas são sucesso, na verdade, porque realimentam, continuamente, uma indústria, com produtos menos ou mais bem-acabados.

A Marvel é exportadora de simbologia e também de ideologia, uma vez que, recentemente, imprimiu mais de 1 milhão de cópias de Salute Our Troops, um gibi patriótico escrito por Brian Michael Bendis e com arte de Dan Jurgens. Destinado, exclusivamente, a levantar a moral das Forças Armadas americanas no Iraque, Salute Our Troops inclui o Capitão América, o Quarteto Fantástico e os Vingadores.

Alan Fine, presidente da Marvel Toys & Publishing, foi preciso no discurso de agradecimento ao "cliente", o Departamento de Estado americano. "Nós achamos que essa é a platéia mais apropriada para se divertir com a ação e a aventura de nossos super-heróis - pessoas reais que fazem sacrifícios todo dia para proteger os direitos e a democracia que todos abraçamos."



E vêm aí...



Duas seqüências Marvel estão a caminho. Dirigido por Sam Raimi, Homem-Aranha 3 chega em 2007 e enfrentará quatro vilões de uma vez (Venom, Duende Verde, Homem-Areia e outro não revelado). O herói usará uniforme negro no lugar do vermelho tradicional. O Quarteto Fantástico também retorna, com o mesmo elenco e um mito dos quadrinhos na tela: o Surfista Prateado (personagem preferido de Richard Gere em A Força de Um Amor). "Haverá tensão entre o Sr. Fantástico e o Surfista", avisou a atriz Jessica Alba.

Fonte: Estadão


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